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Posturas de Afeto

A presente pesquisa se situa no campo de Poéticas Visuais. Através de um recorte cronológico e temático na minha produção e metodologia artística, enfoco o desenvolvimento do conceito de figuração em desvio e da temática Posturas de Afetos. Ambos são abordados nas obras autorais e articulados por meio de análises de obras do cânone da História da Arte e do cenário contemporâneo. Com a densidade encontrada no desdobramento de operações de figuração, a presença queer atua como uma chave de interpretação, subversão e criação nas obras e nos escritos de artista. Assim, as narrativas visuais e textuais, articuladas no corpo deste trabalho, configuram-se como uma possibilidade, como uma experiência ontoepistêmica, como um ensejo ético-estético para um desenvolvimento de uma postura de zelo, de carinho: uma postura afetiva.

DESENHO COMO INSTITUIÇÃO POLÍTICA

Ouvi por aí que a maior tragédia humana é não sabermos o quanto somos amades, e desconfio que já saibamos um cadin mais, ou ao menos, que desconfiamos… Porque isso que nos transborda quando nos vemos, quando nos encontramos, nos falamos e nos tocamos, é o suficiente pra tremer o chão: é o suficiente pra abrir caminhos. Me perguntaram se o outdoor era uma propaganda e eu respondi que sim. É uma propaganda para os afetos. É uma propaganda pra gente se beijar em praça pública: pra que nossos corpos e identidades não sejam mais criminalizados. É uma propaganda pra adubar os imaginários, com todas essas memórias e vidas. É, é um slogan. “Todo beijo é histórico”. Mas, potente, porque é uma verdade. É imagem e, por isso, conecta a minha imaginação e a tua.

Esse outdoor é nosso, essa memória, é nossa. Porque como diz minha autora predileta Carmen Marçal “quem disse, amor, que o mundo não é para ti?”.

SOB A DRAGFICAÇÃO: NARRATIVAS DISSIDENTES E SUBVERSÕES ESTÉTICAS NA ARTE CONTEMPORÂNEA

Nesta pesquisa, o artigo explora a dragficação como operador analítico e proble-mática na arte contemporânea, utilizando características da arte drag para examinar outros fenômenos culturais, através das obras de Rafa Bqueer, David Rosado e Anu Põder. Parte de uma revisão narrativa que conectada a análises das obras, evidencia zonas de tensão e fronteiras, através das corporeidades, visualidades e discursos, que refletem críticas a padrões, va-lores e convenções sociais, ligadas ao gênero, cultura e território.

UMA PERFORMANCE DRAG RUMO A ZONAS DE FRONTEIRA: UÝRA — A "A ÁRVORE QUE ANDA

Investigando as potencialidades do fenômeno “dragficação” como uma forma de observar a produção artística contemporânea, partimos de uma revisão narrativa com base referencial inicial de Louro (2013), Borriaud (2009) e Cardoso (2023), e analisamos a obra “Ponto Final, Ponto Seguido. Dois Atos: pra lembrar, pra curar” (2022), da artista visual Uýra Sodoma, contextualizando a obra na produção e poética desta artista. Para o exercício de análise, propomos a ideia de “lente drag” como aparato metodológico poético, aferindo como resultados parciais a identificação de aspectos de corporificações, efemeridades, materialidades, justaposições e contrastes, evidenciando não-dicotomias, que presentificam o fenômeno estudado, revelando essas características como abordagem estética, discursiva e política, desafiando normas sociais e vivificando outras narrativas.

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